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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Como se desvia dinheiro no Brasil (trecho)

Com base na análise de casos recentes, ÉPOCA lista as
modalidades de corrupção mais comuns no Brasil – e propõe ideias
para diminuir a roubalheira

MARCELO ROCHA - Revista Epoca / G1.com.br
(Foto: Shutterstock)


O livro Arte de furtar foi concluído em 1656. Atribuído ao Padre Antônio Vieira (mais tarde essa autoria seria contestada), o documento era endereçado ao rei de Portugal, Dom João IV, um dos primeiros representantes da Casa de Bragança. Com o intuito de alertá-lo sobre os malfeitos de seus súditos no além-mar, a obra lista as diversas maneiras encontradas pelos representantes da coroa portuguesa para desviar dinheiro público na colônia. Uma breve passeada pelos títulos de alguns de seus 70 capítulos mostra como a “arte” já se manifestava e se aperfeiçoava no Brasil do século XVII: “Dos que furtam com unhas invisíveis”, “Dos que furtam com unhas toleradas”, “Dos que furtam com unhas vagarosas”, “Dos que furtam com unhas alugadas”, “Dos que furtam com unhas pacíficas” e até “Dos que furtam com unhas amorosas” são alguns deles.

O livro Arte de furtar é uma amostra de como a discussão sobre a corrupção é antiga no Brasil – e a leitura diária dos jornais atesta que o assunto continua presente. Na semana passada, O Globo publicou que o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, o DNOCS, teve um prejuízo de R$ 312 milhões em contratações irregulares e gestão de pessoal. No dia seguinte, a presidente Dilma Rousseff – que popularizou a expressão “malfeito” durante um encontro com Barack Obama, dizendo que não os toleraria em seu governo – teve de mostrar mais uma vez que dizia a verdade. A partir da reportagem, ela decidiu, em mais um lance de sua bem-vinda “limpeza”, negociar com o PMDB para retirar Elias Fernandes Neto, diretor do DNOCS, da direção do órgão. Na quinta-feira, ele saiu.

Não existe sociedade cuja população seja mais ou menos propensa ao roubo. Uma pesquisa científica feita anos atrás mostrou que, diante de uma situação de dilema ético, cerca de 10% das pessoas agem de acordo com rígidos princípios morais, outros 10% agem de forma a tirar o máximo de vantagem, mas a maioria absoluta, cerca de 80%, se pauta principalmente pela possibilidade de ser apanhada. Esse resultado se repete de forma praticamente idêntica em diferentes nações. Portanto, o que faz diferença no nível de corrupção de cada sociedade não é a ideologia, a religiosidade ou a classe social de origem de seus dirigentes, mas as formas com que suas instituições vigiam e punem os responsáveis. 

Quem estuda o tema corrupção sem recalque moralista ou interesse partidário costuma dizer que é impossível medir com precisão o tamanho da roubalheira em cada cidade, Estado ou nação. O que alguns rankings internacionais costumam mostrar nada mais é que a percepção da corrupção, uma ideia tão imprecisa quanto a percepção do medo, da saudade ou do amor. Quem rouba não deixa recibo. Tudo o que se conhece, portanto, não é o que foi efetivamente roubado, mas apenas a fração correspondente ao que foi denunciado, flagrado ou investigado.

Técnicos do governo encarregados do combate à corrupção dizem que, nos últimos anos, os mecanismos de controle avançaram, as investigações se tornaram mais profissionais e os órgãos de fiscalização trabalham mais em parceria. No ano passado, a Controladoria-Geral da União (CGU) apurou desvios que chegam a R$ 1,8 bilhão. A soma é resultado de investigações que envolveram licitações fraudadas, cobranças indevidas de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) e verbas que seriam empregadas em atividades esportivas para crianças carentes. Desde 2002, quando a CGU passou a consolidar os números, os desvios somam R$ 7,7 bilhões. Esses valores representam o montante que deve ser cobrado dos responsáveis por essas irregularidades, mas, sabidamente, está longe de ser o montante que foi roubado no Brasil.

Se é muito difícil medir com exatidão quanto se rouba, bem menos complicado é saber como se rouba, como já havia reparado o autor do livro de três séculos atrás. Furtar, de fato, é uma arte. Não no sentido de ser algo louvável, mas no sentido de envolver uma multiplicidade de técnicas. O roubo clássico é o desvio de dinheiro de obras públicas, com fraudes em licitações e superfaturamento de preços. Em tempos recentes, a “arte” se sofisticou, envolvendo operações mais imateriais, como cursos e consultorias – serviços mais difíceis de quantificar em termos monetários. Na reportagem que se segue, ÉPOCA listou sete das modalidades de desvio mais comuns no Brasil atual, exemplificando cada uma com casos recentes denunciados pela imprensa.

No ano passado, a Advocacia-Geral da União (AGU) conseguiu recuperar R$ 330 milhões para os cofres públicos em ações que tramitam na Justiça que envolvem, entre outros, casos de corrupção contra a administração pública. Só em 2011, a AGU entrou com ações que pedem a devolução de R$ 2,3 bilhões. É uma luta que vale a pena. Ao ler sobre corrupção praticamente todos os dias na imprensa, é comum que o cidadão muitas vezes se sinta perdido, confuso, desorientado. O guia a seguir visa mostrar que, de maneira geral, a corrupção não é algo tão complexo e rocambolesco como muitas vezes pode parecer. Como uma carta endereçada ao cidadão brasileiro, da mesma forma que Arte de furtar se dirigia ao rei Dom João IV, o objetivo singelo desse levantamento é mostrar como se rouba no Brasil atual. Sempre tendo em vista que, entre estes cidadãos, está a presidente Dilma Rousseff, tão preocupada com os “malfeitos”. 






quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Amizades ruins podem causar câncer e doenças cardíacas

Pesquisas mostram que alguns tipos de relacionamento podem, sim, te deixar doente.


A qualidade das suas amizades pode afetar a sua saúde tanto quanto a qualidade de sua alimentação, de acordo com uma pesquisa da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Cientistas descobriram que pessoas que passam por interações sociais negativas (o famoso “climão”) com frequência, tem mais chances de desenvolver inflamações – o que, por sua vez, pode causar câncer e doenças cardíacas. Para chegar a esse resultado, os pesquisadores pediram que 122 voluntários mantivessem um diário. Ao mesmo tempo, eles analisaram amostras de saliva destas pessoas em busca de proteínas que possam causar inflamações. Eles descobriram que aqueles que passaram por situações mais estressantes tinham uma maior quantidade das proteínas inflamatórias. A hipótese levantada pelo estudo é que isso é um mecanismo evolutivo da nossa espécie. Quando nossos ancestrais enfrentavam animais ou outros clãs, era vantajoso que o corpo produzisse mais proteínas inflamatórias, já que elas poderiam combater possíveis infecções causadas por ferimentos. No entanto, com o nosso modo de vida atual, esse mecanismo já não é tão útil e faz com que as pessoas mais estressadas com o cotidiano se tornem apenas mais propensas a inflamações. O conselho dos pesquisadores para a prevenção é que você esteja sempre próximo de pessoas positivas e otimistas e que evite amizades “tóxicas”.

Pequim esteve a sete minutos da destruição por satélite

Sete minutos salvaram grandes áreas de Pequim, na China, da completa destruição, quando um satélite de 2,5 toneladas dirigia-se em direção à cidade. Por sorte, o satélite, que havia sido lançado em junho de 1990 pela Alemanha, sofreu um desvio ao entrar em contato com a Atmosfera e caiu no Golfo de Bengala, em outubro do ano passado. 
Para não causar alarde, essa informação só foi liberada nesta terça-feira pelos cientistas. As conseqüências para a capital chinesa seriam catastróficas: enormes crateras, combustível espalhado, explosões, edifícios destruídos e grandes perdas humanas em uma metrópole de 20 milhões de pessoas. 
“Segundo nossas observações, Pequim estava na direção da última órbita do satélite, que vinha a 480 km/h. Passou perto”, anunciou Manfred Warhaut, do Centro Europeu de Operações Espaciais da Alemanha. 
O satélite era previsto para retornar à Terra entre 2014 e 2023. Devido às flutuações e intensa atividade solar o satélite caiu em outubro de 2011. A atmosfera se expande e contrai, o que faz com que seja difícil para os cientistas preverem com exatidão a entrada de satélites espaciais na atmosfera. 
E foi graças a um pequeno atraso na entrada da atmosfera, que o satélite desviou seu curso. Porém, os cientistas advertiram que 10 minutos no tempo-espaço é muito tempo. De acordo com o porta-voz do Instituto Europeu, se o satélite tivesse atingido a Terra um minuto mais cedo, teria caído na Sibéria, se fosse um minuto mais tarde, no Oceano Pacífico. Sete minutos a mais e Pequim estaria destruída. A volta de satélites à Terra já está no topo das preocupações da Nasa, que estuda novas maneiras de evitar que danos maiores aconteçam nesse processo. 

por Redação Galileu

terça-feira, 11 de outubro de 2011

NOSSA SENHORA "APARECIDA"


Entre os Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo corre o Rio Paraíba. Em meio às suas curvas há um trecho onde seu caminho forma um grande “M”, muito visível do alto de uns morros que se erguem por perto.
Na segunda quinzena de outubro de 1717 o Conde de Assumar, Dom Pedro de Almeida, nomeado Governador da Capitania de Minas Gerais e São Paulo, veio tomar posse da terra de Piratininga. Depois da posse partiu para Minas Gerais, devendo passar por Guaratinguetá. A Câmara local tomou as providências para a recepção ao Governador. Foram enfeitadas as casas e convocados os pescadores para que arranjassem muito peixe para a caravana do Conde.
Domingos Martins Garcia, João Alves e Filipe Pedroso eram alguns dos pescadores responsáveis pela pesca. Os três estavam juntos em suas canoas. Começaram a lançar as redes no porto de José Correa Leite e foram rio acima, até o porto de Itaguaçu. Foi uma longa distância percorrida, mas não pegaram um só peixe. Nesse porto, onde o Paraíba forma o “M”, João Alves lançou sua rede de arrasto, certo de que ela não voltaria vazia. Para surpresa dos três, no fundo da rede havia um objeto de cor escura, com pouco mais de um palmo e aparência de uma pequena imagem. Lavada, viram uma escultura, representando Nossa Senhora da Conceição. Infelizmente, a imagem não tinha cabeça. Atirada novamente a rede e arrastando-a no fundo do Rio, João Alves conseguiu, com muita alegria, encontrar a cabeça da estatueta.
Talvez a pesca do corpo e da cabeça da mesma imagem tenha sido o primeiro “sinal” de algo de extraordinário para
João Alves. Ele tomou os pedaços, corpo e cabeça da imagem, envolveu cuidadosamente em um pano e guardou. Até então não haviam pescado peixe algum. Mas não desistiram. Lançaram novamente a rede e... que maravilha! Em pouco tempo pescaram tão grande quantidade de peixes que ficaram com medo de naufragar. Por isso retornaram às suas casas admirados. Seria esse o segundo “sinal” de algo estaria por suceder?
A imagem era, de fato, de Nossa Senhora da Conceição, medindo, no total, 40 cm de altura, feita de terracota, uma argila que, depois de modelada, é cozida em forno apropriado. Era talhada em estilo rústico, com traços marcantes de piedosa simplicidade, de cor escura, devido ao longo tempo em contato com o fundo lamacento do rio Paraíba. Hipoteticamente, ela teria, originalmente, uma policromia (uso de várias cores), como era costume na época, mas não há documentos que comprovem. Quando foi pescada, o corpo estava separado da cabeça e, muito provavelmente, sem a policromia original, devido aos anos em que esteve mergulhada nas águas e no lodo do rio. A cor acanelada, com que hoje é conhecida, deve-se ao fato de ter sido exposta, durante anos, ao picumã (fuligem) das chamas das velas e dos candeeiros. Seu estilo é seiscentista (século XVII), como atestam alguns especialistas que a estudaram, entre os quais o Dr. Pedro de Oliveira Ribeiro Neto, os monges beneditinos do mosteiro de São Salvador, na Bahia, Dom Clemente da Silva Nigra e Dom Paulo Lachenmayer. Em 1978, após o atentado que a reduzira em quase duzentos fragmentos, foi encaminhada ao Prof. Pietro Maria Bardi - na época diretor do Museu de Arte de São Paulo - que a examinou, juntamente com o Dr. João Marinho, colecionador de imagens brasileiras. Foi totalmente reconstituída pela artista plástica Maria Helena Chartuni, na época, restauradora do Museu de Arte de São Paulo.
Ainda conforme estudos dos peritos mencionados, a imagem foi moldada com argila paulista, da região de Santana do Parnaíba, situada na Grande São Paulo. O mais difícil foi determinar o autor da pequena imagem, pois não está assinada ou datada. Assim, após um estudo comparativo, os peritos chegaram à conclusão de que se tratava de um escultor, discípulo do monge beneditino Frei Agostinho da Piedade, e também seu colega de Ordem, Frei Agostinho de Jesus. Caracterizam seu estilo a forma sorridente dos lábios, o queixo encastoado, tendo, no centro, uma covinha; o penteado, flores em relevo, nos cabelos, broche de três pérolas na testa e porte empinado para trás. Todos estes detalhes se encontram na Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, e, por isso, concluíram os peritos, Dom Clemenente da Silva Nigra e Dom Paulo Lachenmayer, que a Imagem foi esculpida pelo monge beneditino Frei Agostinho de Jesus, ceramista sacro do período seiscentista brasileiro, que viveu entre 1600 e 1661.
Chegando ao Porto, Filipe Pedroso levou a imagem para sua casa, perto de Lourenço de Sá, onde a conservou por uns seis anos, mais ou menos. Já no dia seguinte, Filipe iniciou a construção de um oratório onde se colocaria a imagem. Depois, passando para a Ponte Alta, continuou com ela, em sua casa, por mais uns nove anos. Passou a morar no Itaguaçu, onde deu a imagem a seu filho Atanásio Pedroso.
Atanásio, então, fez uma capelinha e, sobre um altar de pau, colocou a imagenzinha da Senhora. Indício de que a devoção à imagem da Senhora começava a tomar conta das pessoas foi a construção da capelinha para abrigá-la.
Aí, todos os sábados, a vizinhança se juntava para cantar o terço e mais devoções diante daquela a quem, por não saberem o nome, passaram a chamar simplesmente de “Aparecida”. Foi nessa capelinha que fatos estranhos e prodigiosos começaram a acontecer.
Em certa ocasião, o povo estava reunido e rezando. Duas velas de cera da terra iluminavam a Senhora. A noite era serena e sem vento. Repentinamente, as duas velas se apagaram. Silvana da Rocha correu para acendê-las. Mas, sem a intervenção de qualquer um deles, as velas se acenderam novamente. Este foi o primeiro prodígio e o terceiro “sinal” de que algo mais estava para acontecer. Esses fatos provocaram grande alarde e a fama da pequena imagem começou a se espalhar rapidamente. O vigário da vila, Padre José Alves Vilela resolveu, então, oficializar o culto, construindo uma capela maior. Em 05 de maio de 1743, o Bispo do Rio de Janeiro concedeu autorização exigindo a construção com material durável e proibindo o pau-a-pique. Recursos não faltaram, pois já era grande o afluxo de pessoas.
Entre os inúmeros devotos de Nossa Senhora Aparecida, crentes de seu poder de sua magnanimidade, que se ajoelharam aos seus pés, conta-se que esteve o próprio Dom Pedro, quando de sua viagem a São Paulo, em 1822.
Afirma-se que ele fez as suas preces e o voto de proclamar Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil, se tudo acontecesse segundo seu desejo, em São Paulo. Deve-se assinalar que a proclamação oficial da Independência do Brasil teve a data de 08 de setembro de 1822, dia da Solenidade da Natividade de Nossa Senhora. De fato, Dom Pedro declarou Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil. A construção da nova e linda capela se deu em pouco tempo, assim como rapidamente se espalharam os prodígios e a fama de Nossa Senhora Aparecida. Ao longo das paredes da nova capela, foram sendo afixadas as lembranças de curas e milagres.
No ano de 1868, dois ilustres romeiros vieram visitar a Capela de Nossa Senhora da Conceição Aparecida: a imperatriz, Princesa Isabel, e seu esposo, o Conde Dom Luiz D´Eu. A velha Capela, situada no alto do Morro dos Coqueiros, revestiu-se de uma nova pintura. A festa de Nossa Senhora era celebrada, então, unicamente no dia 08 de dezembro. A notícia da visita das Altezas Imperiais foi recebida com muito entusiasmo. A Princesa Isabel e o Conde D´Eu assistiram ao último dia da novena e à própria festa de Nossa Senhora, nos dias 7 e 8 de dezembro de 1868.
Era costume a Mesa Administrativa nomear os festeiros para o ano seguinte da festa e, devido à presença singular da Princesa e do Conde, houve sessão da Mesa no próprio dia 08 de dezembro de 1868, deliberando, por unanimidade, as Altezas Imperiais como festeiros para o ano de 1869. Assim, a Princesa Isabel e o Conde D´Eu foram os últimos festeiros da festa tradicional de Nossa Senhora, pois a partir de 1869 a própria Mesa Administrativa encarregou-se de faze-la.
Está registrado no jornal Santuário de Aparecida, de 12 de fevereiro de 1921, que Dona Isabel e o Conde d’Eu chegaram à Capela às seis horas da tarde para assistirem à novena da festa de Nossa Senhora. Vieram a cavalo com uma grande comitiva. Dizem que Dona Isabel deu naquela ocasião a Nossa Senhora um riquíssimo manto com vinte e um brilhantes no valor de 18 contos de réis. A Princesa foi recebida no alto da colina, solenemente, por crianças vestidas com todo o mimo, que a saudaram com pétalas de rosas. A Princesa entrou na Igreja, orou e na Praça foi saudada por um escravo de nome Antônio, que ficara aos serviços do Padre Joaquim Pereira Ramos e que tocava perfeitamente o trombone, daí ser conhecido por Antonio trombonista. A Princesa Isabel esteve ainda mais uma vez em Aparecida, no dia 06 de novembro de 1884.
A história de Aparecida tem uma outra ligação profunda com a Princesa Isabel. No ano de 1857, um escravo fugiu de Curitiba e veio para Bananal, cidade de São Paulo, sendo preso e algemado. Ao passar pela Capela de Aparecida, pediu ao feitor licença para ver Nossa Senhora Aparecida. O feitor, renitente, negou - porém, condoído, consentiu. E ao fazer o seu pedido de clemência, de liberdade, o escravo se ajoelhou e ergueu os braços algemados e fez a prece - e a corrente caiu, tinindo no chão! Foi um dos primeiros milagres conhecidos de Nossa Senhora Aparecida a correr pelas vilas vizinhas e pela província. Hoje está pintado no forro da Basílica Nacional, em artístico trabalho de madeira, feito em estilo da época, pelo artista Chico Santeiro, para o “Museu Nossa Senhora Aparecida”.
Uma grande corrente se encontra na parede da Sala dos Milagres. Quando aconteceu o milagre da libertação do escravo Zacarias, todos os escravos tinham a esperança, também, de serem libertos. Um outro escravo conseguiu autorização do feitor para entrar na Capela. Rezou e fez o mesmo pedido, mas a corrente não se abriu. Ele rezou tristemente e cheio de Fé. Levantou-se e descendo a antiga rua da Calçada, hoje ladeira Monte Carmelo, viu a comitiva da Princesa. O escravo ajoelhou-se e pediu a bênção e misericórdia. Dona Isabel ordenou, então, que o escravo fosse posto em liberdade. As algemas cairam pela segunda vez diante da Capela, por aquela que seria Redentora de todos os escravos do país.
Nas Atas da Capela de Nossa Senhora Aparecida, de 04 de janeiro de 1750, há o registro de um órgão, um relógio de parede, uma caldeirinha de cobre e o escravo Boaventura, mulato, com cerca de 44 anos, organista. Esse registro indica que o primeiro organista da Capela Nossa Senhora Aparecida foi um escravo. Quando houve o milagre do escravo descrito acima, o capanga que o acompanhava pediu ao Capelão de Nossa Senhora Aparecida, Padre Antonio Luiz de França Reis, que lhe desse um atestado sobre o acontecido e o levou ao fazendeiro em Curitiba. Este surpreendido, escolheu mais dois escravos, Lúcia Belin e João Belin e fez dos três presente a Nossa Senhora Aparecida. Zacarias, que foi o milagrosamente salvo, Lúcia e João viveram longos anos neste local, como descreve Padre Oto Maria em “Pontos Históricos com relação a Nossa Senhora Aparecida”. O mesmo Padre Oto Maria no “Santuário de Aparecida” de 14 de janeiro de 1922, registra que se deliberou “em contratar José Pires de Almeida para servir de organista nas missas que se celebravam nos dias de sábado em louvor a Nossa Senhora Aparecida, mediante a gratificação de dois mil réis, quando não possa ser por cada uma das ditas missas visto que o escravo da mesma Capela João Belin” e mais adiante “não poder continuar como até aqui tocando órgão”. Segundo relatos, João Belin tocava a ladainha de Nossa Senhora com um dedo da mão direita, enquanto a esquerda fazia ligeiro acompanhamento. Depois era o contrário: apenas tocava o acompanhamento com um só dedo enquanto que a mão direita fazia nascer os mais belos acordes.
Como não parava de aumentar o número de romeiros, julgou-se necessário a construção de um templo maior.
Supervisionada por Frei Monte Carmelo, em 08 de dezembro de 1888 foi inaugurada a Igreja por Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, Bispo de São Paulo, onde é hoje a “Basílica Velha”.
No ano de 1894, chegou a Aparecida um grupo de padres e irmãos da Congregação dos Missionários
Redentoristas, para trabalhar no atendimento aos romeiros que acorriam aos pés da Virgem Maria para rezar com a Senhora “Aparecida” das águas.
O jornal Santuário de Aparecida, de 19 de novembro de 1921, registrando o falecimento da Princesa Isabel, diz que ela era “muito piedosa, um exemplo vivo para seu povo. Ela também foi muito devota de Nossa Senhora Aparecida. Aqui esteve uma vez, cumprindo nessa ocasião uma piedosa promessa a Nossa Senhora; doou também uma coroa de ouro, em 1884. A imagem de Nossa Senhora Aparecida foi coroada, no dia 08 de setembro de 1904, por Dom José Camargo Barros, com a coroa doada pela Princesa, recebendo, também, o manto azul-marinho. Consta que a coroa de ouro ofertada era me forma de globo com uma cruz, toda cravejada de brilhantes”. Decreto papal de 29 de abril de 1908 concedeu à igreja de Aparecida o título de Basílica. A consagração de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil ocorreu em 31 de maio de 1931, em uma celebração que reuniu, já naquela época, um milhão de pessoas. Os padres redentoristas, responsáveis pelo Santuário Nacional de Aparecida, foram os grandes animadores da construção da Basílica que hoje abriga a imagem da Senhora. Em 1936 começaram estudos para a construção de uma nova sede do Santuário. Em forma de cruz e entrecortada por um “X”, a planta foi aprovada em 1949. Desde essa data até hoje, operários se revezam na construção. O conjunto total abrange 18.000 m2 de área coberta. 
O projeto grandioso teve início em 1955, com a concretagem da nave norte. Construído em forma de cruz, possui capacidade para abrigar 45.000 pessoas e possui uma infraestrutura especial para o atendimento de romeiros que procuram o lugar durante todo o ano para prestar culto à Padroeira. Em 1967, ano da comemoração do jubileu dos 250 anos do aparecimento da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, o Papa Paulo VI ofertou ao Santuário Nacional da Padroeira do Brasil uma Rosa de Ouro, que era um presente oferecido pelo Papa em sinal de particular estima e para distinguir personalidades que prestavam relevantes serviços à Igreja, ou para honrar cidades, ou ainda para realçar Santuários extraordinários, como centro de grande devoção. Essa Rosa era artisticamente elaborada segundo o estilo da época. A entrega da honraria aconteceu na manhã do dia 15 de agosto daquele mesmo ano, com a presença de diversas autoridades civis e religiosas, entre elas o presidente Artur da Costa e Silva. Atualmente, a Rosa de Ouro encontra-se exposta na Exposição Rainha do Céu, Mãe dos Homens: Aparecida do Brasil no Museu Nossa Senhora Aparecida, no 1º andar da Torre Brasília.
No dia 04 de julho de 1980, o Papa João Paulo II, em missa celebrada no Santuário, consagrou a Basílica, que recebeu o título de Basílica Menor.
Hoje, multidões de peregrinos chegam para visitar aquela que um dia “apareceu” das águas do Paraíba. Apareceu para ficar para sempre.





DIA DAS CRIANÇAS - Menino de 12 anos comanda programa de rádio no interior do CE


O Dia das Crianças para Alan Cardoso dos Santos será de brincadeiras, mas também de muita responsabilidade. Nesta quarta-feira, o menino interrompe os festejos pela data às 14h para comandar o Som na Rua, programa que ele apresenta na rádio Casa Grande FM, de Nova Olinda (Ceará). “Aqui posso brincar e aprender coisas novas”, diz ele, que se diverte com os compromissos de adulto.
A emissora pertence a uma ONG (a Fundação Casa Grande) que mantém um museu e atende a 60 crianças  – entre elas Alan - com programas sobre história, comunicação, arte e turismo. Na Fundação, que funciona desde 1992, os pequenos aprendem, produzem e transmitem conteúdo.
O garoto produz e apresenta o Som da Rua há seis meses. Em duas horas diárias de programa, Alan seleciona músicas de vários gêneros sem dispensar as preferências. “Toco de tudo, mas nunca deixo de colocar reggae”, confessa.
Alan também é guia do museu Memorial do Homem Kariri, gerente da Gibiteca (biblioteca de gibis) e integrante da equipe técnica do teatro da ONG, o Violeta Arraes. Para cumprir toda a agenda, durante a semana Alan fica meio período na Fundação por causa das aulas. No fins de semana e feriados, o menino diz que “corre” logo de manhã cedo e só volta para casa no fim da tarde.
Alan mora com os pais e três irmãos em Nova Olinda há 11 anos. A família veio de Itatim (Bahia) para o Ceará em busca de emprego. Atualmente, o pai trabalha como operador de máquina, e a mãe é dona de casa e ganha renda extra como lavadeira. O menino conta que a mãe confia quando o filho está na fundação. “Minha mãe acha melhor quando estou lá”, comenta.
“Entrei na Casa Grande por interesse e conta própria, ninguém me obrigou”. Talvez seja por isso que o menino também reforça que não se cansa da rotina de adulto e que tem muito tempo para as brincadeiras da idade também. “Faço amigos e sempre conheço pessoas e culturas de outros locais”, conta animado.
Sempre criança
O estudante do 8° ano da Escola Municipal Padre Cristiano Coelho diz ser um bom aluno, mas ainda não sabe que profissão seguir quando crescer. Sobre o futuro, o menino tem duas certezas. “Quero continuar na Casa Grande por muito tempo e, quando for 'grande', quero continuar me sentindo uma criança”, ressalta Alan, que pediu aos pais um presente "de gente grande": um relógio "de ponteiros".
fonte: Gabriela Alves do G1 CE

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Campanha para doação de órgãos e tecidos

Embora muito se fale em doação de órgãos e tecidos, poucas pessoas sabem realmente o profundo significado deste ato. O gesto de amor a semelhante e ao desprendimento na hora da perda de um familiar. Para quem pouco ouviu falar sobre a doação de órgãos vamos ver alguns pontos importantes.
Algumas pessoas têm sérios problemas de saúde o que faz com que determinado órgão como, por exemplo, o coração fique debilitado; e esta pessoa para sobreviver necessita que seja feito um transplante de coração. Neste caso quando uma pessoa morre a família pode autorizar a doação dos órgãos, e o coração desta pessoa que morreu pode proporcionar a esta outra pessoa que necessita de um transplante uma nova chance de vida.
Isto acontece com vários órgãos como o fígado, as córneas e até mesmo com o pulmão. Há também a doação de medula óssea, que pode ser feita quando a pessoa doadora está viva e pode salvar muitas vidas. Para compreender o processo da doação temos que saber alguns pontos importantes descritos abaixo:

O que é receptor?

Receptor é a pessoa que recebe ou receberá o órgão doado.

O que é doador ou dador?

Doador ou Dador é a pessoa que doa o órgão para que seja realizado o transplante.

O que é um transplante de órgão?

Um transplante é a transferência de um órgão vivo, tecido ou células de uma pessoa para outra. Este transplante tem por finalidade restabelecer a função perdida no corpo do receptor do órgão.

Quem pode ser dador ou doador?

No caso de transplantes de rins, medula óssea, fígado e tecido pulmonar o doador pode ser um doador vivo. No caso de outros órgãos vitais, tem de ser de uma pessoa falecida, mas com condições prévias para a doação dos órgãos. Ou seja, para doar os órgãos é necessário alguns procedimentos prévios para conservação do mesmo e transporte, há um tempo certo para que os mesmos possam ser retirados do corpo do doador.

Informações sobre doação de órgãos e tecidos pelos telefones:
 (34) 3318-5845 ou 3318-5182



sábado, 30 de julho de 2011

Novo videoclipe de Zé Ramalho estreia neste domingo na internet


Estreia na tarde do próximo domingo (31), na internet, o novo videoclipe de Zé Ramalho. A canção em questão é  a regravação do clássico dos Beatles "While my guitar gently weeps", composta por George Harrison.
A produção, que estará disponível no site de vídeos YouTube, é um dos clipes que o cantor e compositor paraibano rodou sob a direção de Rafael Fracacio para promover seu novo CD, "Zé Ramalho canta Beatles" (Discobertas).
Com produção do próprio Zé Ramalho, direção musical e programações de Dodô de Moraes e produção executiva Marcelo Fróes, o álbum entrará em pré-venda nas lojar virtuais a partir de semana que vem e chegará ao mercado a partir do dia 8 de agosto.
O novo trabalho já é o quinto da série "Zé Ramalho canta", iniciada com Raul Seixas em 2001. Outros cantores homenageados pelo paraibano foram Bob Dylan (2008), Luiz Gonzaga (2009) e Jackson do Pandeiro (2010).
O cantor pretende lançar um álbum autoral apenas no ano que vem.

Ex-baixista do Charlie Brown Jr. é o novo integrante do CPM 22


Foi anunciado nesta sexta-feira (29) por meio de comunicado o novo integrante da banda CPM 22. O escolhido para substituir o baixista Fernando Sanches, que deixou o grupo de pop rock, foi Heitor Gomes.
O músico tocou por sete anos com o Charlie Brown Jr. e já havia saído da banda. A estreia de Heitor é em show no dia 6 de agosto, no Kazebre, em São Paulo.
Veja o comunicado do CPM 22:

Nesta próxima 6ª feira, dia 29 de julho de 2011, iremos transmitir, via Twitcam (transmissão ao vivo na Internet), um primeiro contato do nosso novo baixista com o público em nosso ensaio, a partir das 19 horas. Sua estréia no palco será no nosso próximo show, por sinal em um grande show, dia 06 de agosto no Kazebre, em São Paulo. Desejamos ao nosso eterno amigo e baixista Fernando tudo de melhor em sua vida, sua carreira e na música. Agradecemos de coração todos os seus esforços e gestos em prol do CPM22, sem contar o seu enorme talento e musicalidade
”.

Aos amigos, fãs e parceiros do CPM22 - Temos uma notícia ruim e uma outra boa. Queremos dizer, logicamente não muito contentes, que o nosso querido baixista e amigo Fernando Sanches está deixando a banda. Após um período muito bacana de 6 anos tocando com a gente, o “Fê” nos comunicou que precisava e queria sair para poder se dedicar mais ao seu estúdio e à família. Queremos também deixar bem claro que não houve nenhum atrito entre a banda e o Fernando, tudo foi resolvido com muita paz e conversa (isto está bem claro em sua própria declaração). A notícia boa, por outro lado, é que este “problema” já foi resolvido, inclusive com a ajuda do Fê, pois conseguimos um substituto à altura e estamos nos preparando para o próximo show.
Leia a resposta do baixista Fernando Sanches:
"Bom dia amigos!!! Acho que não tive criatividade nem talento para escrever algo que não soasse melancólico (o que não é), rancoroso (muito menos) ou choradeira desnecessária (deixo isso pra outras bandas…). Então, melhor trabalhar com citações e positividade, pois sabemos que a intenção da mudança é sempre o bem comum.
Foram seis divertidos anos que passaram rápido demais… E como já disse o nosso poeta, filósofo e visionário Badauí: 'O Mundo da Voltas…'!!! Ao CPM22, como sempre, desejo muitas felicidades, muitos anos de vida!!!
Abraços e Beijos a todos. ‘Thou shalt not allow anything to deter you in your quest for all'"

Estudantes holandeses projetam carro solar para corrida


Um grupo de estudantes holandeses está construindo um veículo para competir em uma corrida de carros movidos a energia solar.
A equipe, formada por alunos da Universidade de Delft, teve pouco mais de um ano para projetar e construir o veículo, que agora está em fase final de testes.
O gerente técnico da equipe, Mike Hoogstraten, explica que todos estão ansiosos para ver os resultados dos testes aerodinâmicos que precedem a corrida.
A corrida é realizada a cada dois anos na Austrália. Os competidores percorrem 3.000 km entre as cidades de Darwin e Adelaide.
Os holandeses esperam que seu carro represente um passo a mais na evolução dos veículos solares, que são menos poluentes que os automóveis convencionais.
fonte: BBC Word

sábado, 25 de junho de 2011

A MUSA DOS SERTÕES VEM AÍ...........

Violência escolar ou Bullying


A violência escolar é uma ameaça às crianças. Bullying é uma palavra inglesa que significa intimidação. Infelizmente, é uma palavra que está em moda devido aos inúmeros casos de perseguição e agressões que se estão detectando nas escolas e colégios, e que estão levando a muitos estudantes a viverem situações verdadeiramente aterradoras.
O Bullying se refere a todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro ou outros. O que exerce o "bullying" o faz para impor seu poder sobre outro através de constantes ameaças, insultos, agressões, humilhações, etc., e assim tê-lo sob seu completo domínio durante meses, inclusive anos. A vítima sofre calada na maioria dos casos. O maltrato intimidatório o fará sentir dor, angústia, medo, a tal ponto que, em alguns casos, pode levá-los a consequências devastadoras como o suicídio.
Casos concretos de bullying
O fenômeno da violência escolar está na ordem do dia e preocupa sociedade civil, a nível global. 30 a 35% das crianças portuguesas foram vítimas deste fenômeno nas escolas. O "bullying" é o que mais preocupa. Não é certo afirmar que a violência escolar tenha aumentado a nível global, porém, existem cada vez mais casos flagrantes de agressões físicas e psicológicas praticadas nas escolas, entre alunos e também contra professores que chegam ao nosso conhecimento através da mídia.
Uma pesquisa divulgada em 7 de outubro de 2008 pela organização não-governamental Internacional Plan, , que atua em 66 países em defesa dos direitos da infância, apontou que 70% dos 12 mil estudantes pesquisados em seis Estados brasileiros afirmaram terem sido vítimas de violência escolar. Outros 84% desse total apontaram suas escolas como violentas.
O relatório é parte da campanha global Aprender sem medo, lançada também hoje. O objetivo é promover um esforço mundial para erradicar a violência escolar. O estudo também indicou que cerca de 1 milhão de crianças em todo o mundo sofrem algum tipo de violência nas escolas por dia.
A campanha terá como foco as três principais formas de violência na escola: o castigo corporal, a violência sexual e o bullying, fenômeno definido pelo estudo como "atitudes agressivas, intencionais e repetidas que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro".
Cada país vai moldar a campanha de acordo com a realidade nacional. Comum em todo o mundo, o bullying será o centro das ações no Brasil. Segundo a pesquisa, pelo menos um terço dos estudantes do País afirmou estar envolvido nesse tipo de atitude, seja como agressor ou como vítima. De acordo com o assessor de educação da Plan Brasil, Charles Martins, o castigo corporal, apesar de ainda estar presente nas escolas brasileiras, é mais repreendido do que o bullying.
"Nós identificamos que o bullying é hoje a prática mais presente. Com o conselho tutelar e outras ações externas, o castigo corporal não acontece tão facilmente, já o bullying tem implicações psicossociais nos indivíduos. Mas não se tem essa consciência, é uma temática nova", explica o pesquisador.
O estudo aponta que as vítimas dessa prática perdem o interessem pela escola e passam a faltar às aulas para evitar novas agressões. "Essas vítimas apresentam cinco vezes mais probabilidade de sofrer depressão e, nos casos mais graves, estão sob um risco maior de abuso de drogas e suicídio", diz o relatório.
Martins alerta que o comportamento não é tão fácil de ser identificado, mas pode ser configurado como bullying quando as agressões verbais e emocionais se tornam repetitivas. "O professor precisa identificar em sala de aula as crianças que têm um padrão de vítima como timidez, problemas de rendimento e se tornam em alguns momentos anti-sociais", indica.
Para a organização, as estratégias de combate à violência escolar mais eficientes se concentram na própria escola. Alguns exemplos são o estabelecimento de normas claras de comportamento, treinamento de professores para mudar as técnicas usadas em classe e a promoção da conscientização dos direitos infantis.
A campanha terá início em 2009. Segundo Martins, a ONG buscará o apoio de dirigentes escolares, professores e dos três níveis de governo para a divulgação do tema. Entre as principais ações está o desenvolvimento de oficinas com os alunos em escolas-piloto para desenvolver o chamado "protagonismo infantil".
"Ao final eles serão orientados a implementar na escola um comitê dos direitos das crianças. Eles serão multiplicadores também em outras escolas", explica Martins. O número de escolas ainda não está definido, pois dependerá de futuras parcerias.
Em pesquisa realizada em 2007 especificamente com escolas estaduais em  São Paulo, foram detectadas as seguintes conclusões (www.udemo.org.br), com relação à violência contra pessoas, pela ordem, foram as mais freqüentes: briga entre alunos (acima de 80%) – isso reflete o que está acontecendo fora da escola; desacato a profissionais da escola (também acima de 80%), porte ou consumo de bebidas alcoólicas (63%), tráfico ou consumo de drogas (36%), invasão de estranhos (54%), ameaças de morte contra profissionais da escola (30%) e porte ou uso de arma (14%).
A pesquisa também abrangeu a violência contra os bens materiais da escola, como (em ordem de maior frequência): depredação, pichação, arrombamento, dano a veículo, furto e explosão de bombas.
Livre, livre. Meus olhos seguirão ainda que meus pés parem. Estas foram as últimas palavras que deixou escritas Jokin Zeberio, de 14 anos, antes de sucicidar-se, atirando-se ao vazio com sua bicicleta, do alto da muralha de Hondarribia, Espanha, em setembro de 2004. Jokin vinha sofrendo agressão de seus colegas havia anos. As contínuas ameaças, humilhações, insultos, pancadas, surras, o fizeram sofrer e o levaram à morte. O feito fez soar o alarme social político e educativo, e gerado muitos debates. Mas, lamentavelmente, não freiaram o fenômeno. Os casos de bullying afloram e cada dia detectamos que não são recentes nem raros.

Escrito por Pablo Zevallos